terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Lift...

Como eu estava dizendo para o meu amigo César, a inspiração é caprichosa, mas ela é generosa com aqueles que aceitam-na de bom grado. Eu a aceito sempre. E sou ricamente recompensado, por vocês leitores, e por amigos como o próprio César, que não se cansa de presentear-me com honrarias que sonho em um dia retribuir com alguma que ele ainda não tenha recebido. Abaixo estão os novos selos e os meus indicados:





1. Botando pra Fora
2. Better Together
3. Com Uma Pitada de Açúcar
4. Delírios Lírico-Radicais
5. pare, olhe: respira-me

Resolvi, desta vez, entregar os selos àquelas pessoas que (aparentemente) ainda não haviam recebido nenhum deles. À essa altura já devo ter premiado quase todos os meus blogs favoritos, espero poder ainda recompensar aqueles que estiverem faltando. Agradeço a todos pelas visitas e pelos comentários e mais uma vez vou lembrar que não postarei no período de carnaval, mas retornarei no dia 8. Trarei novos textos. Até a volta.

domingo, 27 de janeiro de 2008

There's a reason for it...

“Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso instável, por sobre profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero.

Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase - um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão - essa solidão terrível através da qual a nossa trêmule percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que - afinal - encontrei.

Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber porque cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui.

Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a constituir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.

Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade.

Bertrand Russell (1872-1970)”.

(Autobiografia de Bertrand Russell. Prólogo. Transcrito por Bill Falcão)


Peço desculpas aos meus leitores por ter passado tanto tempo sem postar, tempo que nunca havia levado antes. O que acontece é aquilo que já foi explicado anteriormente; férias, objetivo do blog concluído, falta de outros temas. Mas decidi que continuarei escrevendo aqui, devido à inesperada aceitação e lealdade por parte do público. Mais uma vez agradeço-os.

Estive conversando com a Marcela e ela enviou-me esse texto acima, que ela recebeu de um conhecido e encaminhou a mim, dizendo ter tudo a ver comigo. Li o texto e tive de concordar com ela, vendo também a possibilidade de finalmente voltar a postar. Bertrand Russell foi um importante pensador do século XX, cujos trabalhos abrangem a Filosofia, a Matemática e a Lógica. O que vem ao caso aqui é apenas falar um pouco sobre os sentimentos em comum que descobri entre mim – simples estudante e escritor amador – e este importante pensador.

Todos estão cansados de saber. Eu busquei o amor também. Acho que todos nós buscamos, não é verdade? Como dizia o Axl Rose: “Everybody needs somebody”. Infelizmente, nem todos tem muita sorte. É Impressionante. Os dias se passam, cada pessoa neste momento está vivendo momentos diferentes. Cada uma está passando por uma fase diferente, o começo e o final do ciclo. A paixão, o amor e a desilusão. Um ciclo interminável que causa nos seres humanos uma sensação de felicidade e poder que vem rápido demais para o que ela significa. Escrevendo, vivendo e lendo sobre isso, durante toda a vida, talvez jamais eu seja capaz de compreender. “Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que - afinal – encontrei”. Mas eu não.

Passemos agora ao conhecimento. Ah, este sim nos dá garantia de alguma coisa. Ele nunca nos abandona. O conhecimento, para mim, é o que há de mais importante na evolução humana. Ao adquirir conhecimento a sensação é de leveza, esperança, renovação. Não sei dizer, mas acho que me traz felicidade (contrariando a idéia de Platão, pois ironicamente sou um idealista). Mas em uma coisa eu concordo com ele. Quem é que consegue ser feliz sabendo que existem milhões de excluídos vivendo em situação de miséria?

Pesei minhas opções e escolhi o curso que estou fazendo por idealismo. Preciso de uma razão muito forte para estar vivendo (nenhuma religião foi capaz de me dar isso) e então concluí que preciso ter um objetivo maior do que ganhar dinheiro. As pessoas caminham lentamente, mas, mesmo sabendo de que não surtirá um efeito definitivo, minha vontade é fazer a minha parte. A minha “gotinha”, como falou um professor meu uma vez.
Por último, gostaria de avisar que durante o período de carnaval ficarei sem postar, devido a uma viagem. Mas voltarei no dia 8. Ah, e não se preocupem, asseguro-lhes que o próximo texto será melancólico! (risos). Até a volta.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Noites brancas...

Mais uma vez estou aqui de madrugada escrevendo no blog. E será ela justamente o meu tema. Ganhei inspiração graças a uma agradável conversa com meu amigo Tiago, agora a pouco, e percebi o quanto isso tudo é digno de uma reflexão e um post.

Dizia-me ele que gosta da madrugada, gosta de ouvir música durante a madrugada, ao invés de desperdiçá-la dormindo. Eu não diria algo diferente. Acho que são as melhores horas do dia (da noite, digamos). É quando posso estar sozinho e não me sentir mal por isso. É quando posso escutar o silêncio e a música em minha cabeça (ou nos fones em minha cabeça). Gosto de estar no escuro sem poder me ver e só escutar o som. Também gosto de beber nessa hora. Algo gelado, ou talvez mais refinado como vinho ou uísque.

Então, o meu amigo disse que trabalharia num lugar deserto, pela madrugada, se pudesse. Eu pensei rápido e concluí que gostaria de ter esse horário só para mim, não para trabalhar. Perguntei-lhe o que ele imaginaria como um trabalho para esse horário. “Não sei exatamente... Poderia ser um posto em algum lugar deserto”, foi a resposta. “Você trabalharia de frentista num posto no meio da estrada?”, indaguei. Ele disse que fora a possibilidade de assalto estaria bom, mas contanto que fosse num lugar bonito.

Foi a partir daí que percebi a sublimidade de tudo isso. Meu amigo perguntou-me mais uma vez: “Trabalharia num posto da ‘Br’ com o teu amigo aqui? Enchendo tanque de caminhão e ouvindo Radiohead debaixo do carro?”. Imaginei naquele momento a sensação que aquilo poderia proporcionar. Imaginei ouvir “Fake Plastic Trees” num rádio com baixa qualidade sonora, num posto deserto durante a madrugada. Tiago imaginou ainda o posto perto do mar.

Depois, ele imaginou também trabalharmos no setor interno de uma biblioteca que nuca fecha, o que renderia conversas, leituras agradáveis, e capuccinos. Ele escreveu a biblioteca como tendo janelas que nos dariam a vista para um lindo jardim. E aí ouviríamos os grilos e outras coisas...

A reflexão a que isso tudo me levou é que existem coisas que sempre temos vontade de experimentar na vida. Coisas bem simples... Mas nunca podemos, sabe por quê? Sabe. Porque estamos presos ao sistema rotineiro que nós mesmos criamos. Toda a sua segurança e complexidade jamais trarão a felicidade das coisas simples. Não custa nada percebermos isso e tirarmos algum tempo para fazer essas coisas doidas que nos deixariam felizes. Só por um tempo que seja. Sabe... Não chega a ser maluquice não... É apenas viver. É apenas aproveitar o óbvio, o essencial, o simples. A vida é cheia de momentos. Mas a felicidade está nos mais simples.

Felicidade é a sensação de fazer coisas simples e “doidas” ao lado de um amigo. Isso traz felicidade. Ah, traz sim. A conversa que tive com meu amigo Tiago me deixou bastante contente. São coisas como essas que enxergamos nessas horas da noite. Que nos fazem pensar, sentir, sonhar... Ou sair do banho e vir escrever um post como este para o blog, só de toalha... Coisas da madrugada.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A tempestade...

'Tis vain to struggle - let me perish young
- BYRON

Foi por ti que num sonho de ventura
A flor da mocidade consumi...
E às primaveras disse adeus tão cedo
E na idade do amor envelheci!

Vinte anos! Derramei-os gota a gota
Num abismo de dor e esquecimento...
De fogosas visões nutri meu peito...Vinte anos!...
Sem viver um só momento!

Contudo, no passado uma esperança
Tanto amor e ventura prometia...
E uma virgem tão doce, tão divina.
Nos sonhos junto a mim adormecia!

(...)

Meu Deus! e quantas eu amei... Contudo
Das noites voluptuosas da existência
Só restam-me saudades dessas horas
Que iluminou tua alma d'inocência.

Foram três noites só... Três noites belas
De lua e de verão, no vau saudoso...
Que eu pensava existir... Sentindo o peito
Sobre teu coração morrer de gozo.

E por três noites padeci três anos,
Na vida cheia de saudade infinda...
Três anos de esperança e de martírio...
Três anos de sofrer - e espero ainda!

A ti se ergueram meus doridos versos,
Reflexos sem calor de um sol intenso,
Votei-os à imagem dos amores
Pra velá-la nos sonhos como incenso.

Eu sonhei tanto amor, tantas venturas,
Tantas noites de febre e d'esperança...
Mas hoje o coração parado e frio,
Do meu peito no túmulo descansa.

Pálida sombra dos amores santos!
Passa quando eu morrer no meu jazigo,
Ajoelha ao luar e entoa um canto...
Que lá na morte eu sonharei contigo.

12 de setembro, 1852.”

(Trechos: Álvares de Azevedo – “Saudades”)


Estou prestes a escrever algo doloroso. Solidão. Dor. Fui acometido das lembranças recentes, tão desastrosas, tão desoladoras. A angústia presente no livro da Clarice Lispector, a presença de verdades que antes eram invenções de uma mente imatura, o golpe que destruiu meu coração, sobrando absolutamente nada.

Todas as noites têm sido semelhantes. Mas esta, do dia 8, às 22:41, tem sido a pior delas até agora. Não tenho intenção de dormir, jamais durmo cedo. A sensação de desolamento não permite. É algo que torna uma criatura a mais desventurada e indesejada. Mal desejada. Será apenas uma fase de algumas horas até o amanhecer? Não... Desta vez já tem durado tempo demais. “Hoje a tristeza não é passageira”, dizia o Renato Russo. Não posso levantar mais de onde fui jogado, por um golpe inesperado, uma cicatriz que se forma inesperadamente, uma cicatriz que a mim não foi prometida.

Não, prometeram-me que seria diferente. Mas como outras pessoas fizeram, deixou ela uma cicatriz mais profunda do que qualquer outra. Agora, o desespero bate à porta há muito não visitada por ele, um companheiro de longa data, um visitante vazio, que apenas esfarela, dizima a todos os sonhos e queima toda a esperança. Esperança irregular, oscilante, que vem e vai como uma brisa da tarde, agora um crepúsculo crescente e sem volta.

Perdi-me desta vez e não sei mais onde encontrar. Desiludido comigo, mundo, pessoas. A escuridão nunca veio tão nebulosa como agora. Talvez naquela manhã quando por quatro horas pranteei por ti. Mas o pranto não vem; ele é preso, enterrado, inalcançável a um débil esforço para derrama-lo. Sentir-me-ia melhor se eu o alcançasse? Não saberei. Nem mesmo isto me é permitido. Privado da mais simples faculdade de chorar.

Que a noite então dure eternamente e que o dia jamais venha. Deixe-me mergulhar num sono profundo ao interior de mim mesmo, o nada. Que a noite cubra minhas pálpebras com um imenso manto negro e que se faça adormecer eterno. Na treva profunda e brutal sinto esvair-se minha alma. Pois sinto, meu anjo, uma imensa e desmedida solidão. Você não estará aqui amanhã para me acordar; nunca esteve. Que então eu não acorde, que mergulhe eu e pereça então, para sempre no sonho e na escuridão...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

More recognition...

E mais uma vez estou aqui para anunciar mais uma honraria concedida a mim pelo César, meu maior motivador. Fico feliz por tantas visitas e pelo reconhecimento, nunca esperado por mim, como falei no post anterior...






E aqui vão meus indicados:

Botando pra fora

Infinito Particular

B!ahworld

Grafitte Charmy

Com uma Pitada de Açúcar

E como sempre, mais uma vez peço desculpas àqueles que não foram indicados, mas como costumo dizer, posso apenas indicar cinco. Ei, não esqueçam o post anterior (rs)!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

À todas as noites de verão...

“Naquele mesmo momento enxerguei (mas tu não podias enxergar), voando entre a frígida lua e a terra, Cupido, de arma em punho: fez mira, ele, na direção de uma linda vestal, coroada pelo Ocidente, e libertou desde seu arco a flecha do amor, com muita habilidade e energia... como sedevesse trespassar uma centena de milhares de corações. Contudo, eu pude ver a flamejante flecha extinguir-se nos castos raios de uma lua aguada; e a imperial devota passou adiante, em virginal meditação, livre de fantasias amorosas. Eu, porém, observei onde caiu o dardo de Cupido: bem em cima de uma florzinha do Ocidente, antes branca como o leite, agora púrpura como a ferida do amor. E as donzelas chamam de amor-perfeito àquele amor ocioso.”

(William Shakespeare – “Sonho de uma noite de Verão”)


“Yesterday I got lost in the circus
Felling like such a mess
Now I’m down I’m just hanging on the corner
I can’t help but reminisce
When you’re gone all the colors fade
When you’re gone no New Year’s Day parade
You’re gone
Colors seem to fade”

(Amos Lee – “Colors”)



Férias da universidade... E eu mais uma vez aqui, escrevendo algo sem importância, mas que talvez todos venham e comentem, como sempre. Agradeço aos meus leitores. Mas ultimamente as idéias têm ficado cada vez mais escassas.

Quando eu ainda estava na universidade pelo menos ainda tinha algo a relatar sobre minhas observações no cotidiano solitário que eu levava. Até a minha ida ao boteco era motivo para reflexões existenciais e uma boa crônica. Nada como um caderno, uma cerveja (na verdade prefiro vodka ou vinho, mas já que o ambiente não ajuda...) e uma tristeza para uma boa inspiração.

Este blog tornou-se algo que eu não esperava, recebeu prêmios que eu não esperava, e um público fiel e atencioso que também não esperava. Mas na verdade, todos sabem porque eu o criei inicialmente. Acontece que talvez eu já tenha dito tudo o que deveria ser dito. Recebi todo o apoio de pessoas que nem conheço, e isso me deixa muito contente e emocionado. Mas talvez, infelizmente, já não tenha mais o que dizer.

Fará dois meses no dia 16, desde que aconteceu. Porém, já fará quatro meses desde que tudo começou, e mais de dois anos de amizade. Como já confessei, depois de tanto tempo, ela tornou-se uma pessoa importante e querida para mim, por isso nossa amizade sempre continuará. Acho que ela também pensa o mesmo, eu espero. Mas de todo caso, talvez a história termine aqui. Nem tudo foi esclarecido, mas talvez seja melhor assim. Não sei como iremos ficar. Mas eu realmente não tenho mais muita coisa para escrever no momento.

Este blog recebeu o nome que tem por causa do dia do nosso encontro, que terminou desastrosamente, como já sabem, e também por causa da música. Comecei a escrever aqui para deixar extravasar toda a dor que eu senti. E consegui. E agradeço a todos pelo apoio tão inesperado e pela atenção. Quero agradecer também à minha prima Raiza pela motivação e atenção que tem me dado (vocês devem ter visto uns comentários dela por aí). Obrigado pelo carinho, I love you! Não levem a mal, não é uma despedida. Não ainda. Estou pensando. Pensando no que vai acontecer comigo e com ela, pensando no que vai acontecer com este blog depois disso e pensando no que irei escrever depois de tudo.

Bem, acho que a chuva ainda continua, aquele dia de novembro ainda está vivo em minha memória...

sábado, 5 de janeiro de 2008

À procura dos nossos "pés"...

MSN:

' César!
Roupa Nova – Sapato Velho <
cesaraschuler@hotmail.com>

::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
rapaz... essa música
::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
"Sapato Velho"
::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
é linda demais...
::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
"é, talvez eu seja simplesmente como um sapato velho..."
' César! diz:
"mas ainda sirvo se você quiser, basta você me calçar, que eu aqueço o frio dos seus pés"
::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
quem é que ainda quer um sapato velho hoje em dia, companheiro?



***

Alguns de nós têm “mania de grandeza”, como disse o meu amigo César nesta mesma conversa, antes de publicar o seu post. Outros, como eu, não. Alguns preferem as moças ditas “top”, outros as mais reservadas, aquelas que não são tão notadas como as primeiras. Não importa, pois todos nós temos algo em comum.

Nós somos aquilo que nunca é notado. Estamos ali, no meio das fileiras de pretendentes de uma bela moça, ou enchendo nossas caras com etanol em um boteco qualquer. Somos feitos de sonhos, vivemos de sonhos. Somos capazes de encontrar a felicidade nos braços de alguém que amamos, simples que seja todo o resto. Normalmente nunca encontramos aquilo que aplaca a nossa vontade e o nosso desgosto. Mas nunca deixamos de sonhar...

Sabemos exatamente o que dizer quando estamos na frente dela. Sabemos acreditar no quanto elas são especiais, cada uma delas, mesmo que nem elas próprias venham a enxergar isso. Fazemos a quem amamos sentirem-se especiais. O que oferecemos é especial. Nós somos como sapatos velhos... Podemos ser aconchegantes aos pés... Podemos aquecê-los do frio e fazê-los sentir como se estivessem descalços... Mas ainda somos sapatos velhos.

A verdade é que nunca poderemos chegar onde os sapatos de butiques estão. Eles é que são os preferidos. Quem é que vai querer um sapato velho se puder ter algo melhor? Bem... Podemos não ser nenhum sapato novo e bonito. Sabem o que eu acho? Que o que precisamos pode estar em outra direção, talvez não muito longe dali, talvez fora do nosso campo de visão, esperando por alguém exatamente como nós. Ela não está entre as "tops", mas isso não significa que ela não seja linda, sua beleza disfarçada apenas pela sua timidez, pelo seu jeito reservado. Ela é capaz de entender você como nenhuma outra "top" fará e é capaz de fazê-lo feliz também como nenhuma outra. Sempre apreciei muito mais esses adoráveis “pés”. A questão é: quem poderá um dia encontrar os seus?

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Recomeça a estação das chuvas...

“Quis continuar a falar, mas, de repente... Calei-me”.
— Sabe por que estou eu tão contente? — perguntou-me ela — e me sinto tão satisfeita por o ver? Por que estou tão carinhosa para com você?
— Diga — perguntei eu, e o meu coração batia...
— Pois eu lhe tenho toda esta amizade porque você não se apaixonou por mim. Outro, no seu lugar, teria começado por me importunar e aborrecer teria suspirado e fingido que estava doente. Mas você foi tão franco e tão simples!
E apertou-me a mão com tanta força que por pouco eu não gritava. E riu-se outra vez.
— Meu Deus! Como você é meu amigo! — continuou depois de uma pausa cheia de seriedade. — Acredito verdadeiramente que foi Deus quem o enviou. Que teria sido de mim se não o tivesse ao meu lado? Tem sido tão bom para mim! Se eu me casar havemos de continuar assim, amigos... Como dois irmãos. Hei de gostar de você quase tanto como dele...
Custaram-me estas palavras e, naquele mesmo instante, senti um desgosto imenso; mas a seguir, qualquer coisa semelhante a um sorriso se esboçou na minha alma.
— Está muito desassossegada
— disse-lhe — pois, no fundo, tem medo que ele não venha.
— Mas que idéia! Se não estivesse tão contente, é muito provável que me fizesse chorar com essa sua descrença e com as suas censuras. Além disso, não tem feito outra coisa senão insistir numa hipótese que pode trazer-me muitas contrariedades. Mas isso fica para depois; por agora confesso-lhe que adivinhou. Eu estou verdadeiramente... Fora de mim! Eu sou toda ansiedade e percebo tudo e tudo ouço como através de uma nuvem... Mas basta... Não falemos mais de sentimentos...”

(Fiodor Dostoievski – “Noites Brancas”)



Os dias têm sido turvos, cinzentos, desbotados e chuvosos, assim como a velhice que me aguarda. Mesmo quando o sol brilha no céu azul ao longe, quando cantam o mar e os pássaros, as folhas verdes das árvores balançam ao vento... Mas tudo é triste e vazio por trás das lentes do meu espírito.

Conforme o tempo passa, percebo como estive vivendo tudo novamente, como um ciclo que retorna à sua origem e ao mesmo tempo ao seu fim, indistinguíveis um do outro, numa mesma seqüência de fatos, sentimentos e frustrações. Está tudo sempre o mesmo. Está tudo assim tão diferente e tão semelhante ao que se foi.

A promessa se repete a cada novo ciclo, a proteção que busco na solidão se mostra sólida em sua teórica invulnerabilidade. Acabo sempre quebrando a promessa e deixando que aconteça de novo, deixando que haja uma aproximação indevida por parte de algumas pessoas. Pessoas que me despertaram aquilo que nunca esquecerei, quão marcante é a sua presença em nós, tamanha a sua sublimidade e poder. Maldito seja ele.

Mais uma vez faço então a promessa que um dia me libertará de todo esse mal que maravilhoso é para o mundo. Aquilo que todos conhecem em todos os idiomas, que faz queimar seu orgulho em cinzas e desatina. Sua presença é a causa de meu sofrimento e minha solidão. Mas sou feito dele...

Minhas noites, naturalmente terminam com uma manhã. É sempre igual às outras. Nada passa pela minha mente para cumprir-se durante o dia. Os dias são assim sempre iguais... Pena ter eu perdido o costume. Terei de recupera-lo novamente; afinal, é isso o que a vida sempre me mostrou, enquanto eu me recusava a enxergar, colocando-me nos braços de alguém. Alguém, que, como sempre, não queria nada daquilo. Não era diferente da personagem acima. Bem, afinal de contas não me podem oferecer mais do que aquela mulher da história ofereceu ao seu desgraçado interlocutor. Ninguém pode oferecer mais do que isso a alguém como eu, como outros iguais a mim. Por que é tão difícil aceitar quando nos parece inevitável o nosso fim? Sei que terminará da mesma forma. De que me valerá conseguir aquilo que quero? Procuro ter a esperança de que isso aplacar-me-á a falta que ele faz.

Pelo menos, desta vez, alguém cuidou tão bem de mim antes de partir que não haverá como o rancor espalhar seus ramos negros e amargos sobre mim. Ela aumentou minha muralha, mas deixou algumas flores lá dentro.
Mais um ano começa, indiferente, incolor. Para mim todos os dias serão dias de novembro e todos os sóis de cada dia estarão cobertos pela chuva fria.

“Hoje é o primeiro dia do resto dos seus dias.” (Thom Yorke)

domingo, 23 de dezembro de 2007

For whom the bell tolls...

A bebida enternece a alma. Após longas horas sinto o efeito que ela causa em minha solidão. Após o tumulto, a agitação, as luzes... Nada parecia solitário e tudo era feito de sonhos, emoções...

Mas agora já não há mais luzes a festa acabou. Sinto uma profunda saudade daquilo que não vivemos. Sinto saudade de você. Meus pés estão doloridos, minha língua dormente; pensei que pudesse esquece-la um pouco, por breves momentos em um lugar cheio, onda há muitas pessoas, muitos conhecidos. Mas não havia como tirar você de mim. As noites são sempre claras ao dizer que eu deveria estar com você.

Não tento, não há aquela que poderá substituir você. Olharei a beleza delicada de uma flor em um imenso jardim, mas nenhuma terá o encanto e o mesmo perfume que o seu. Por que estive pensando tanto nisso? Se já faz algum tempo! Eu poderia tê-la deixado de lado, se talvez tivesse bebido mais um pouco... Se talvez tentasse regar uma outra rosa. Não há, não tem como. Se ao menos você pudesse me ver...

As noites são sempre iguais, solitárias, onde quer que eu esteja, numa festa ou em casa, aqui na frente desta máquina escrevendo para você. É só para você que eu escrevo. Mas você não pode ver... Você já não me enxerga mais, já não me escuta mais, já não pode ler mais... E eu sinto você tão viva, como perto de mim, e sua alma parece sentir a minha. Acompanha-me, pois sem você minha tristeza se revela real. Minha ilusão é tudo o que eu tenho, é o meu pensamento, é a sua imagem perto de mim agora... Descanse então, e amanhã nos encontraremos de novo, como nos sonhos que hoje à noite terei. Deseje-me bons sonhos...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Noite de dezembro...

A brisa fria da noite vem soprando ao longe. Sozinho aqui sentado penso nos meus sonhos que se foram... Estou aguardando. Não importa o quê.

Há uma bela moça sentada a alguns metros à minha direita. Ela também parece estar aguardando. Parece agora pronta para levantar-se. Mas continua aguardando. Que será que ela espera? Tão solitária, assim como eu. Mas ela parece esperar por alguém. Eu também já estive esperando por alguém. E foram tantas vezes...

Não compreendo exatamente o porquê de estar escrevendo isto. Talvez eu realmente esteja sentindo os efeitos do tédio... Ou talvez eu realmente esteja adquirindo novamente o costume de escrever. Começou de mais uma tentativa frustrada de escrever uma poesia. Estava saindo um soneto em alexandrino, mas que logo depois se transformou em seis sílabas poéticas, cada um dos dois versos, reestruturados então. Mas logo desisti e estou escrevendo outro texto lírico em prosa. Dessa vez estou sem bebida, apesar de estar próximo ao estabelecimento que a vende.

A moça está usando um casaco cinza e uma saia preta com babados à altura do joelho, mais ou menos. Ela tem a pele muito branca e os cabelos escuros e ondulados, chegando a passar por pouco os ombros. Oh! Ela se foi... Não sei porque ela chamou-me a atenção. Mas não importa. Agora estou realmente sozinho.

Logo chegará a hora de levantar-me também. E apesar de me dirigir a um recinto com um número razoável de pessoas, eu continuarei sozinho. Será como se ainda estivesse sentado neste banco vazio, sentindo o ar frio da noite soprar em meu rosto... De qualquer forma, estarei melhor assim.

domingo, 16 de dezembro de 2007

O inesquecível perfume da rosa...

“E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa.
Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela
rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... Repetiu o principezinho, a
fim de se lembrar.”

(Antoine de Saint-Exupéry – “O Pequeno
Príncipe”, Capítulo XXI)


São tantas pessoas... Mas aos nossos olhos, de imediato, são todas iguais. Iguais a cem mil outros. Como explica o autor no decorrer do capítulo, não temos necessidade delas, pois não fomos cativados e nem cativamos.

Bem... Com ela foi diferente. A minha rosa me cativou desde o princípio. Eu a cativei também. Pena ter demorado demais para descobrir isso. A vida é cheia de sol quando uma dessas pessoas nos cativa. Lembramo-nos dos pequenos detalhes com mais carinho. Seus passos são diferentes dos outros. Sua voz é diferente das outras, inconfundível. Seu jeito é exatamente do jeito que queremos.

Eu penso que a conheço. Conheço suas qualidades, seus defeitos, seus pontos fracos (positivos e negativos, se me compreendem). Porque realmente só se conhece aquilo que cativa, não é? As pessoas esqueceram disso também. Como diz o autor, elas compram tudo pronto nas lojas. Mas não existem lojas de amigos. Nem de amores...

Como dizia ela própria: “As melhores horas da nossa vida são exatamente aquelas em que perdemos a noção da hora”. O tempo simplesmente passava enquanto eu estava apenas conversando com ela. Não adianta pedir para que ele seja mais vagaroso... Que dirá pedir que ele pare! O tempo é implacável... Ah, se eu a tivesse amado a tempo! E eu tive muito tempo... Muitas horas felizes de espera, muitos “ritos”, como diz Saint-Exupéry.

Mas aí: “- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...”. Acontece que a minha rosa é única. Ela é, para mim, a mais importante de todas. Porque fui eu quem a reguei. É a minha rosa. Foi o tempo que eu perdi (ou melhor, doei) com ela que a fez importante para mim. É por isso que não me arrependo de nada. Eu passaria por tudo outra vez e a regaria de novo e a cativaria de novo e deixaria que ela me cativasse... Ela levou embora toda a amargura que existia em mim. Ela também me regou, uma planta seca, e voltei então à vida. Ela é eternamente responsável por mim. E eu sou também eternamente responsável por você, minha amada amiga...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O limite do Amor / November Rain...







Nada é capaz de mudar tão completamente uma pessoa quanto ele. É tão sublime e tão revitalizante, tão doloroso e tão perfurante quanto um sopro fino e gelado de inverno. É eterno enquanto cultivado. É efêmero quando rejeitado. Tão efêmero quanto a vida, nem um pouco menos.

Tento não permitir a sua entrada. Mas ele sempre está lá. Sempre esteve. Um par de anos. Teria sido ele sempre o mesmo? Naturalmente que não. Apenas quando ele se viu num espelho, límpido e turvo, luminoso e obscuro das palavras dela. Ele também se via estático, brilhante, num par de olhos em fotografia. Não voltou a encontrar-se quando os olhos não mais eram estáticos e o brilho já havia se apagado...

Ele fala em você para fazer coisas que vão de encontro aos seus costumes, às suas vontades... Mas como é bom fazer o que não faríamos... Percorrer qualquer distância, ir buscar seja o que for, apenas para fazê-la feliz. O orgulho? Engolido. Afogado. A timidez? Nem vergonha mais. Tudo se curva perante sua força e seu poder de destruição.

Ele destrói sim... Ele salva. Ele me faz desejar abrir mão da eternidade, ele está disposto a dar todo o meu sangue para ver brotar novamente a rubra essência vital nos lábios dela, se assim for necessário. Se eu pudesse tocar!... E quantas promessas que foram esquecidas, que foram feitas e que agora descansam em um mundo de lembranças e desejos.

O brilho dos seus olhos se foi. Tão turvos que mal posso enxergar suas pupilas. Por quê? Contentaria-me eu com isso? É claro que sim. Ele não se importa. Ele sabe que é mais do que isso. Ele sabe do seu poder. Ele se contentaria em ser alimentado por um sentimento não tão forte quanto ele, mas que está longe de possuir a sua fraqueza. A amizade afinal é tão nobre... Posso me contentar com ela. Posso, ainda, passar por cima de tudo apenas pela amizade dela, pois estando junto a ela estou em paz.

Como pode esse sentimento ousar dar sentido a vida e a todo universo? Como pôde ele prometer-me felicidade simples e eterna se me deixou vagando na fria chuva de novembro?

Não há espaço aqui para você. Não devo mais senti-lo. É você quem me faz sonhar noites inteiras com quem quero e quero esquecer. É você quem nos faz sentar em um boteco com um caderno numa mão e uma cerveja na outra. E é você quem nos faz escrever em blogs como este...

Quando eu era criança...

Nos últimos dias tenho buscado fonte de inspiração. Algo que pudesse falar de mim da forma como eu gostaria, não como eu poderia escrever, seja de que jeito fosse. Sou a favor de escrever aquilo que sentimos, mas também interpreto isso como uma arte, como algo que se faz para expressar beleza, a beleza das palavras e das frases, das metáforas e das tantas outras figuras de beleza lírica, a beleza dos sentimentos, a beleza das tristezas...

Resolvi novamente confiar minha inspiração a um livro, um livro que diga aquilo que vivo e traga-me as palavras que procuro para que eu possa formar as minhas próprias. Encontrei-o no livreiro da universidade. Os livros ficam dispostos num banco em volta de uma árvore, um jambeiro. E lá eu encontrei algo que já conhecia, mas não possuía: “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry. Uma edição nova, cheirando como nenhuma outra (tenho mania de cheirar e apalpar exemplares, uma verdadeira adoração àqueles papéis dispostos em brochuras), por um preço inconcebivelmente baixo para um livro novo.

Sim, agora eu encontrei o que procuro. Será como formar a nuvem da qual cairão minhas palavras como uma chuva fria de novembro. Tirar coisas assim do Pequeno Príncipe? Acredite, eu tiro. Tirarei dele a chuva fria de novembro. Quem sabe eu acabo me encontrando também naquelas páginas coloridas e cheirosas, contendo textos aparentemente inocentes, mas de uma profundidade transcendental... Quem sabe encontro as respostas que procuro, ou as que realmente já sei, ou simplesmente algo que fale sobre o que sempre escrevo... Não importa. Apenas não me traga de volta ao mundo...

domingo, 9 de dezembro de 2007

A smell of recognition...

Estou aqui hoje não para postar mais uma das minhas reflexões, mas para dizer que tive a grande honra de ser indicado pelo César, do Confessionário, aos prêmios abaixo. Vim também fazer as minhas indicações.

Eu Tenho Um Blog de Elite

Prêmio Escritores da Liberdade

A seguir estão os meus indicados:

1. Botando pra fora (Blog da Kari, cujos textos tanto gosto de comentar e com os quais tanto me identifico);
Abaixo, blogs recém-criados assim como o meu e cujas autoras poderão vir a se tornarem excelentes blogueiras.
Obrigado mais uma vez ao César e parabéns aos meus indicados, que sirva de motivação para que continuem a produzir. Perdoem-me aqueles que eu não indiquei, gostaria que fosse permitido indicar mais do que cinco. Até a próxima!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O segundo naufrágio...

Bem, aí está o meu poema favorito. Não é do meu autor favorito, mas é de uma poetisa que também aprecio muito. Fala verdadeiramente do que senti, sinto e talvez ainda sentirei. Bela é a sua profundidade. Resolvi então postar aqui uma análise interpretativa deste poema. Espero que também apreciem. O nome do poema é "Canção", da Cecília Meireles.

Vamos por estrofes, separadamente. São cinco:
"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar
com as mãos,
para o meu sonho naufragar"

Segundo a Psicologia, os sonhos nascem do inconsciente humano. Para os poetas, o oceano possui valor lúdico: significa profundidade, mistério. Estas características, pois, também se aplicam ao inconsciente, sendo utilizada aí uma metáfora. O eu-lírico então decide esquecer o seu sonho, "empurrando-o" de volta.
"Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas."


Nesta segunda estrofe ela mostra de forma sucinta (por enquanto) que esquecer um sonho causa um grande transtorno, tristeza, angústia. E o detalhe mais importante: Nos dois últimos versos ela mostra que uma pessoa triste e/ou depressiva acaba por afetar aquelas pessoas que estão em volta.

"O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio..."


Aqui na terceira estrofe ela mostra claramente o esforço psicológico necessário para esquecer o sonho, enquanto este vai aos poucos sendo levado de volta ao inconsciente, ao esquecimento.

"Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça."


Quarta estrofe. O eu-lírico descreve todo o seu sofrimento e esforço para esquecer o seu sonho. Podemos observar o quanto o processo é lento e doloroso.

"Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."


Por fim, ao concluir seu intento, o seu sofrimento tem fim. Seus olhos agora estão secos como pedras, ou seja, ela acaba de se tornar uma pessoa insensível e amarga. Suas duas mãos quebradas simbolizam a sua incapacidade, sua impotência...

Bem é isso. Assim como este eu-lírico, eu tentei esquecer meu sonho. Estou tentando pela segunda vez, tomando o cuidado de acrescentar um esforço a mais para não sofrer das conseqüências descritas nos dois últimos versos, assim como aconteceu da primeira vez. Meu sonho não é difícil de deduzir, para aqueles que têm acompanhado. Mas para mim, a noite se curvará menos de frio e o vento não soprará se eu esquecê-lo. Será melhor assim. Bem, até a próxima.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

No time to love II...

Para que serve um Homem?

Afinal, homem serve para quê? Ah, para uma porção de coisas, e todas ótimas. Para namorar, por exemplo, ainda não se descobriu nada melhor. Pensar neles, sonhar com eles, fantasiar a vida com eles, às vezes é quase tão bom quanto estar com eles. Mas como saber se ele está ou não cumprindo sua função? Simples! É quando você tem vontade de se enfeitar, trocar de penteado, fazer depilação, pôr um vestidinho, comprar um sapato de salto alto, vontade de fazer ginástica... Se você faz tudo isso, e com a maior alegria, é porque ele merece. Um homem que sabe apreciar seu brinquinho, nota quando mudou o cabelo, é muito, muito estimulante. Ter um homem que desperta a vontade de enfrentar uma cozinha, de voltar do trabalho correndo e, mesmo exausta, passar no supermercado para comprar manteiga sem sal que ele gosta. Um homem que sabe, em caso de necessidade, pregar um prego, trocar um fusível, matar uma barata... Sinceramente, tem melhor? Tem sim, e ainda tem muito mais. Um homem que faz você gostar dele apaixonadamente, que dorme abraçado com você no inverno, que ouve seus problemas sem bocejar, que conversa, que ajuda... Com quem quer ter filhos e planos de envelhecer junto... Ah, isso é bom. Se você encontra um que te faz sentir tudo isso, agradeça a Deus: é apenas a melhor coisa do mundo!

Texto de Danusa Leão



Bem, aderindo ao tema abordado pela Jéssica, do blog Devaneios Bobos, resolvi discorrer sobre o assunto (mais uma vez), porém falando em outra perspectiva. Irei basear-me no que foi dito no texto dela e no texto acima citado, ambos tratando do mesmo ponto.

Primeiramente, gostaria de perguntar: Será que este homem (ou mesmo esta mulher) referido no texto é utópico? Eu pelo menos acredito que não. Mas por que será que dificilmente eles são encontrados, ou até mesmo nunca encontrados? Bem, eu acho que talvez saiba a resposta.

Eu estava conversando com uma amiga recentemente, e ela apresentou-me algumas idéias interessantes. Disse ela que ser romântico é perfeito, mas que isso não é suficiente. De acordo com ela, as coisas hodiernamente inverteram-se. No século XXI o que importa primeiro é aquilo que vem do corpo. Da pele. E só depois vem o amor. E só depois vem o romantismo para manter a coisa toda. Ela afirma também que isso é causado pela banalização da sexualidade, na mídia, nos outdoors, nas ruas... Ela sintetizou dizendo que é fácil encontrar um prazer carnal e as pessoas se deixam levar pelo prazer.

Pronto, agora iremos ao foco: o que (geralmente) falta em homens com as características citadas acima? De acordo com a minha amiga falta o que ela chamou de paixão. Ela explicou isso de uma forma bem simples. Disse que me ama, mas que isso não é o suficiente para querer-me. Faz sentido. Posso agora lhes dizer que esses homens referidos nos textos existem sim. Na mais absoluta “perfeição” referida. Mas onde é que eles estão? Eles estão por aí... Estão em bares, ou em botecos, talvez sozinhos em suas casas... Ou escrevendo em blogs como este (certo, sem apelar).

Os homens detentores das características citadas são aqueles sujeitos ao platonismo. E no amor platônico não há a tal paixão conceituada pela minha amiga. Sendo assim, esses homens nos tempos atuais talvez jamais encontrem a pessoa ideal, pois simplesmente falta-lhes aquilo que é requisitado pela maior parte das mulheres hoje. Digo por experiência própria. Esses que possuem a tendência de idealizar e tratar suas amadas exatamente da forma como teoricamente elas gostariam, servem, na verdade, apenas como amigos. Não despertam nada além de amizade. Foi isso o que pude observar no decorrer de dez longos anos.

Eu havia escrito algo semelhante a isso no blog antigo. Tamanho negativismo que utilizei foi um exagero. Sinto-me feliz, apesar de tudo, em ter voltado a ser ultra-romântico. Ainda prefiro ficar sozinho...

sábado, 1 de dezembro de 2007

Fake Plastic Trees...

Nunca me ocorreu de contar isso a ninguém. Não porque não quis ou porque nunca perguntaram. Mas é que nunca me ocorreu mesmo. Eu estava conversando com o César sobre o assunto e tive a idéia de enfim falar sobre isso com alguém.

Como alguns devem saber, assim como o César, eu nunca fui do tipo popular na escola. Mas no meu caso isso vem desde o jardim de infância, não sei se acontece o mesmo com ele. De qualquer forma acho que ele vai postar um texto tratando do mesmo assunto que este tratará.

Lembro-me muito bem daquela época. Eu sempre fui um menino tímido, com poucos amigos (talvez nenhum naquela época), não lembro minha idade, talvez uns três ou quatro anos... Eu era amigo apenas do porteiro, Dudu, que proibia a minha saída em minhas insistentes tentativas de voltar para casa. Meu tio falou recentemente que no dia em que ele foi me deixar lá quase voltava para me buscar, devido à cara que eu fazia ao ser deixado. A escola era uma tortura para mim, principalmente no início. Havia também a minha babá (na verdade não era só minha e sim da turma toda eu acho, mas eu era mais apegado a ela que qualquer outro), Janete.

A não ser por esses acima citados, não me dava com ninguém. A não ser com uma menininha da minha idade. Uma menininha assim como eu, solitária. Mas ela era alegre. Sim, ela sorria ao conversar com as mesmas pessoas que eu (babá, porteiro e “tias”). Nós nos conhecemos e nos tornamos amigos. Nem sempre nos entendíamos, eu não compreendia todas as mensagens dela. Vim entender mais tarde. Mas não me importava. Eu podia compreender o que aquele sorriso infantil queria, do mesmo jeito. Eu sabia que ela era diferente. Só não sabia o quanto. Mas eu não me importava. Eu gostava de estar com ela. Ela era a minha melhor amiga. Ela era quem me fazia esquecer que eu estava sozinho. Ela levava embora a minha solidão.

Ela se chamava Juliana.

Ela tinha síndrome de down.

Claro que eu só vim me dar conta quase duas décadas depois. Minha família sabia de tão sincera amizade. Lembro-me que eles diziam que ela era a minha noiva. Éramos inseparáveis companheiros no nosso silêncio mútuo. Eram poucas palavras. Mas era bom estar com ela. Era bom sorrir junto com ela e seu sorriso inocente. E seus olhos negros e ingênuos. E eu percebo hoje como era lindo ser criança.

Juju, onde quer que esteja, espero que esteja bem. E saiba que nunca esqueci de você.

Até a próxima...


Nostalgia... http://br.youtube.com/watch?v=hmdmfWQW4ig

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A morte de todos os romances...

Que hábito saudável... Hoje mais uma vez vim ao posto quando não encontrei o que fazer. Eram umas 18:25 quando comecei a escrever este texto. Havia passado o dia inteiro deprimido por razões talvez já explicadas e complementadas adiante.

Sentei-me como de costume à uma mesa de plástico do lado de fora da loja de conveniência, a minha Malzbier e eu. Peguei o meu caderno e abri em uma folha em branco qualquer com a idéia de escrever uma poesia. Mas já faz tanto tempo que não escrevo uma poesia... (droga, a garrafa molhou o papel). Bem, como eu ia dizendo, a última vez que escrevi um texto em versos deve ter sido há um ou dois anos atrás...

Não sei porque, gosto tanto de poesias, mas já não sou capaz de escrever nada além de trechos soltos. Resolvi então escrever este texto. Sinceramente, acho que foi o meu texto mais inútil... Mas de qualquer forma, coloco aqui. Quem sabe um dia eu encontro meu próprio estilo (não posso copiar o Álvares de Azevedo) e publico uma poesia minha aqui?

A propósito, aí está a trilha sonora que quase me fez morrer hoje: http://www.youtube.com/watch?v=Ty41BuLsc1A

Minha poesia dirá provavelmente algo parecido com o que afirmam nessa música... “Eu vingarei a morte de todos os romances antes que eu me vá.”

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Rebobinando...

Ao que me parece, estou realmente retomando velhos costumes. No último dia 23 eu estava andando pela universidade, pelos extensos corredores do lugar que um dia foi um seminário... Encontrei um senhor sentado num banco vendendo livros usados a preços inconcebivelmente baixos. Tudo bem, em se tratando de um “sebo”...

O que aconteceu é que um livro em particular chamou minha atenção naquela hora. Um antiqüíssimo exemplar de “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë. Era uma edição amarelada pelo tempo, com páginas e capa contendo pequenos cortes e uma péssima revisão de texto. Comprei o livro por R$ 3,00. Aquilo me parecia uma coincidência, pois havia utilizado no msn justamente uma frase da mesma autora para expressar meu estado de espírito. Dizia ela: "O amor muda como as folhas das árvores no outono. Se eu for capaz de entender isto, serei capaz de amar."

Logo em seguida me dirigi à loja de conveniência do posto de gasolina, próximo à universidade. Comprei uma cerveja de 500 mL, escolhi uma das mesas de plástico ali disponíveis e pus-me a ler e beber. Havia esquecido como, de repente, posso fugir de tudo, de todos. Encontro algo que não está presente em nunhum livro de Filosofia ou Direito (ou mesmo Filosofia do Direito) os quais tenho lido, exclusivamente, nos últimos tempos. Poderiam dizer que romances são ilusões? Sim. Podem ser. O que importa? A realidade me parece tão pouco convidativa... A couraça ou seja lá o que for que eu usava já não me protege mais. Já não posso suportar a ausência daquilo que só está presente nas minhas fantasias, nos meus sonhos...

Enfim, para completar, eu encontro passagens que lembram as atitudes da minha amada, seja por perspicácia ou por cegueira causada pelo amor. Sim, o livro trata de amores infortunos... Bom, para aqueles que apreciam o estilo, eu recomendo. Vou ficando por aqui desta vez. Quem sabe desta vez haverá um final feliz?...

domingo, 25 de novembro de 2007

O fim do outono...

Enfim, um novo blog. Um novo começo. Uma atitude que partiu de uma forte necessidade de simplesmente expressar. Expressar sentimentos, expressar dúvidas, expressar dores e mágoas... Também as alegrias. Se as tiver. Algo que fazia apenas por mensagens instantâneas, com pessoas em quem confio, apenas para elas. Agradeço ao amigo César Fernández pelo apoio, para que eu pudesse renovar o ciclo.

Foi um tanto difícil escolher um tema para este blog. Imaginei aquilo que pudesse identificar a mim mesmo, aquilo que em uma síntese descrevesse a minha personalidade, a minha essência. Pensei no outono, a estação em que nasci, aquela que de fato representa a renovação do ciclo... Mas neste momento talvez não seja isso que está se passando comigo. Realmente não sei responder. Decidi então adotar um tema provisório (sim este tema é provisório), que de fato identificasse aquilo que estou sentindo, aquilo que me inspira. Estive, então, há apenas um dia escutando a famosa "November Rain" do Guns N' Roses e compreendi perfeitamente aquela mensagem e o que ela significa para mim neste momento. Colocarei aqui, mais tarde...

A vida nos faz mudar a um ponto em que olhamos e nos achamos irreconhecíveis. Passei do romantismo ao racionalismo amargo e cético, como se pode observar no blog antigo. Descobri o quanto não havia mudado. Que tudo aquilo que escrevi, toda a amargura não passava de uma máscara. Ou um escudo talvez, aquilo que usamos para que as pessoas pensem que estamos seguros. Mas uma determinada pessoa, depois de tanto tempo, me fez perceber do que eu ainda era (e sou) capaz. Mas desta pessoa falarei ao longo deste meu “livro dos dias”... O que vale dizer aqui é que, apesar de tudo, não houve final feliz. Não sei se voltei a acreditar em finais felizes. Apenas estou aqui, pela primeira vez criando coragem e escrevendo sozinho o que estou sentindo. Sem teses, sem críticas, sem textos científicos... Para que mais tarde outras pessoas venham a ler sobre aquilo que realmente sou. Aquilo que nunca deixei de ser. Talvez eu deva parar agora. É muito para um primeiro post....