Lembranças do teu leito
Nos seios da noite,
Sob a luz do luar,
Minha amada dormia...
Em seu leito solitário
Eu a via pálida como a nuvem
Que à noite vem meus sonhos embalar
Dorme cheirosa sorrindo,
Sem saber que por ti vivo a delirar...
Em sonhos de ventura
Quero em teus seios descansar
Pois que nada além de teu perfume
É capaz de teu servo acalmar...
Eis que vem infeliz desilusão
Ao suceder meu trágico despertar
Vejo-me longe de ti, e meu peito a sussurrar:
- Acorda! Pois que vem a dor novamente visitar!
15/05/2006 – 00:08
Encerro aqui as minhas republicações. Não sei dizer se ainda voltarei a escrevê-las, mas posso garantir que se o fizer, colocarei aqui.
Abraço a todos.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Memories IV...
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 23:19:00 8 gota(s) de chuva
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Memories III...
Triste Desilusão
“A vida é uma planta misteriosa
Cheia d'espinhos, negra de amarguras
Onde só abrem duas flores puras -
Poesia e amor..."
- Álvares de Azevedo
Ao abismo meu espírito caminha.
Suave e tenebrosa sombra da morte
Há de apagar a última centelha minha...
Morrer!
Já não mais a luz da esperança me acalma,
O coração apodrece
Manda-me veneno à alma...
Infelizes aqueles solitários na vida...
Triste canta o trovador,
Doce alma perdida...
02/07/2006 – 1:47
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 11:44:00 1 gota(s) de chuva
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Memories II...
Desalento
Segue tosco o tormento fútil.
Segue vil e inútil a lembrança do passado
Dos tempos de sonhos de ventura
Nos quais pela noite me afogava em doçura.
O que me resta, meu Deus?
A triste marca de uma vida de clausura,
Triste solidão, que nas noites convulsivas
Me debatia em desalento ao leito...
O que resta ao pobre trovador?
Resta a certeza de que tudo foi em vão,
Das noites frias do triste verão,
Do sonho à desilusão...
29/04/2006 – 00:04
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 22:30:00 4 gota(s) de chuva
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Memories...
Deixai-me beber o meu vinho!
"O FANTASMA
Sou o sonho de tua esperança,
tua febre que nunca descansas
O delírio que te há de matar!..."
- Álvares de Azevedo
Cravo os meus olhos na noite escura
Sinto no peito a dor pálida, fria e cortante,
Voam meus sonhos e minh'alma errante
Na noite árida meu ser a ti procura.
Só o que me resta, o conforto do meu cálice
Aquele do qual padeço, em enleios,
Nas noites de solidão.
Entre as paredes vejo sombras,
Vultos que gritam em aflição.
Procuram o bálsamo à dor,
De tuas vítimas o perdão.
Sombras que vagam errantes na escuridão...
Vêem o meu suplício e a minha dor?
Levem-me junto ao caixão,
Pois na noite vazia bebo, rogo e choro em vão...
23/04/2006 – 00:08.
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 22:57:00 6 gota(s) de chuva
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
The final recognition...

2. Botando pra fora
3. Infinito Particular
4. Confissões de uma Adolescente em Crise
5. Palavras de um Mundo Incerto
Não só sem estes, mas sem todos vocês que vêm me visitar, o meu blog não teria tanto sentido. Obrigado mais uma vez.
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 22:45:00 5 gota(s) de chuva
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
All alone...
Enquanto escrevo, observo a lua crescente iluminando o céu azul marinho de fim de crepúsculo. O movimento incessante dos carros apressados, voltando com seus donos para suas casas, em suas rotinas monótonas, para então abraçarem suas esposas e esquecerem do dia vertiginoso que tiveram.
O som dos veículos, das pessoas, da televisão... Tudo passa silenciosamente pela minha percepção, ao passo que vou concluindo cada linha, cada gole de etanol, impenetrável no meu exílio.
Oh! Lamentável... Em breve terei que sair novamente, para juntar-me à multidão que se aglomerará em suas fileiras, silenciosa, para mais um dia do ciclo, para mais algumas horas a pensar num idealizado futuro. Mas em breve poderei voltar, estarei finalmente sentado à minha cadeira de plástico, para contemplar todo esse mundo aí fora, de dentro do meu, na companhia daquela moça chamada Solidão...
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 22:50:00 2 gota(s) de chuva
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Bullet proof...
E a chuva de palavras e de dor cai desenfreada no quarto escuro e nas teclas do computador. O pesado abandono, sensação conhecida de outros tempos, de outras dores, de goles sedentos de etanol, para inebriar uma alma perdida num imenso nada sombrio...
“Eu queria ser à prova de balas” (Thomas Yorke). E eu desejaria não mais sentir. Não mais deitar em um chão frio para aquecer o que há no espaço vazio onde antes havia alma. Então vem você para encher de chumbo o meu buraco no peito, fazendo-me flutuar e estourar em uma dimensão abaixo da vida...
E seu perfume já não sinto mais. Seu gosto desapareceu-me da boca, se um dia já o senti de verdade. Minhas palavras se esgotam sugadas por este espaço onde coloquei meu amor para rodar o mundo para ver se um dia chegaria a você. Mas você não pode me ver... Você não pode saber que escrevo por você.
Mas eu gostaria que você pudesse me ver, e visse a si mesma nisto que você me transformou. Mas está agora tão longe e tanto tempo faz que não falo com você. Sequer esqueço o som da sua voz mansa, seu jeito...
Apenas termine de fazer o que deve, e atire no meu peito vazio, encha-o do chumbo frio, do vil das suas palavras, e faça minha alma e meu corpo flutuarem para sempre na neblina entorpecente da noite solitária, como quem flutua num rio...
Só queria ser à prova de balas...
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 00:52:00 5 gota(s) de chuva
domingo, 10 de fevereiro de 2008
On the way home...
7 de fevereiro de 2008
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 13:30:00 16 gota(s) de chuva
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
No jardim de um mosteiro...
Enquanto penso, observo a paisagem à frente, na qual apresenta-se um jardim tendo como fundo um largo prédio de dois andares, onde repousaram seminaristas de outrora, fechados em suas janelas verticais. Mais na frente do prédio, duas ou três árvores balançam suas folhas ao toque da brisa preguiçosa de um fim de manhã.
Pensei em escrever sobre você. Sobre o estranho fato de que é a única pessoa a ameaçar meus fantasmas do passado. Um passado não muito distante, tão impregnado em mim como o que está nas paredes deste seminário. Haverá de ser você outro fantasma – imagino às vezes – pois é como se fosse parte de um novo capítulo da mesma história.
Apesar disso, pareço não me importar. Pareço ceder a apelos desconhecidos, como sei que também os sente. Ao ver a realidade, parece muito simples o inevitável desfecho deste breve romance que escrevemos. Por que então continuar a escrevê-lo? Por que esperar um final diferente do que já está pronto?
Ao pensar na sua resposta, volto a observar os mosquitos esvoaçantes à luz do sol, que incide sobre as folhas das árvores, sendo tudo isso emoldurado pela imensa sacada da minha varanda, onde permaneço sentado, sempre na companhia de uma moça chamada solidão...
2 de fevereiro de 2008
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 15:05:00 5 gota(s) de chuva
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Lift...


1. Botando pra Fora
2. Better Together
3. Com Uma Pitada de Açúcar
4. Delírios Lírico-Radicais
5. pare, olhe: respira-me
Resolvi, desta vez, entregar os selos àquelas pessoas que (aparentemente) ainda não haviam recebido nenhum deles. À essa altura já devo ter premiado quase todos os meus blogs favoritos, espero poder ainda recompensar aqueles que estiverem faltando. Agradeço a todos pelas visitas e pelos comentários e mais uma vez vou lembrar que não postarei no período de carnaval, mas retornarei no dia 8. Trarei novos textos. Até a volta.
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 10:34:00 9 gota(s) de chuva
domingo, 27 de janeiro de 2008
There's a reason for it...
“Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso instável, por sobre profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero.
Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase - um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão - essa solidão terrível através da qual a nossa trêmule percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que - afinal - encontrei.
Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber porque cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui.
Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a constituir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.
Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade.
Bertrand Russell (1872-1970)”.
(Autobiografia de Bertrand Russell. Prólogo. Transcrito por Bill Falcão)
Peço desculpas aos meus leitores por ter passado tanto tempo sem postar, tempo que nunca havia levado antes. O que acontece é aquilo que já foi explicado anteriormente; férias, objetivo do blog concluído, falta de outros temas. Mas decidi que continuarei escrevendo aqui, devido à inesperada aceitação e lealdade por parte do público. Mais uma vez agradeço-os.
Estive conversando com a Marcela e ela enviou-me esse texto acima, que ela recebeu de um conhecido e encaminhou a mim, dizendo ter tudo a ver comigo. Li o texto e tive de concordar com ela, vendo também a possibilidade de finalmente voltar a postar. Bertrand Russell foi um importante pensador do século XX, cujos trabalhos abrangem a Filosofia, a Matemática e a Lógica. O que vem ao caso aqui é apenas falar um pouco sobre os sentimentos em comum que descobri entre mim – simples estudante e escritor amador – e este importante pensador.
Todos estão cansados de saber. Eu busquei o amor também. Acho que todos nós buscamos, não é verdade? Como dizia o Axl Rose: “Everybody needs somebody”. Infelizmente, nem todos tem muita sorte. É Impressionante. Os dias se passam, cada pessoa neste momento está vivendo momentos diferentes. Cada uma está passando por uma fase diferente, o começo e o final do ciclo. A paixão, o amor e a desilusão. Um ciclo interminável que causa nos seres humanos uma sensação de felicidade e poder que vem rápido demais para o que ela significa. Escrevendo, vivendo e lendo sobre isso, durante toda a vida, talvez jamais eu seja capaz de compreender. “Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que - afinal – encontrei”. Mas eu não.
Passemos agora ao conhecimento. Ah, este sim nos dá garantia de alguma coisa. Ele nunca nos abandona. O conhecimento, para mim, é o que há de mais importante na evolução humana. Ao adquirir conhecimento a sensação é de leveza, esperança, renovação. Não sei dizer, mas acho que me traz felicidade (contrariando a idéia de Platão, pois ironicamente sou um idealista). Mas em uma coisa eu concordo com ele. Quem é que consegue ser feliz sabendo que existem milhões de excluídos vivendo em situação de miséria?
Pesei minhas opções e escolhi o curso que estou fazendo por idealismo. Preciso de uma razão muito forte para estar vivendo (nenhuma religião foi capaz de me dar isso) e então concluí que preciso ter um objetivo maior do que ganhar dinheiro. As pessoas caminham lentamente, mas, mesmo sabendo de que não surtirá um efeito definitivo, minha vontade é fazer a minha parte. A minha “gotinha”, como falou um professor meu uma vez.
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 00:13:00 13 gota(s) de chuva
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Noites brancas...
Dizia-me ele que gosta da madrugada, gosta de ouvir música durante a madrugada, ao invés de desperdiçá-la dormindo. Eu não diria algo diferente. Acho que são as melhores horas do dia (da noite, digamos). É quando posso estar sozinho e não me sentir mal por isso. É quando posso escutar o silêncio e a música em minha cabeça (ou nos fones em minha cabeça). Gosto de estar no escuro sem poder me ver e só escutar o som. Também gosto de beber nessa hora. Algo gelado, ou talvez mais refinado como vinho ou uísque.
Então, o meu amigo disse que trabalharia num lugar deserto, pela madrugada, se pudesse. Eu pensei rápido e concluí que gostaria de ter esse horário só para mim, não para trabalhar. Perguntei-lhe o que ele imaginaria como um trabalho para esse horário. “Não sei exatamente... Poderia ser um posto em algum lugar deserto”, foi a resposta. “Você trabalharia de frentista num posto no meio da estrada?”, indaguei. Ele disse que fora a possibilidade de assalto estaria bom, mas contanto que fosse num lugar bonito.
Foi a partir daí que percebi a sublimidade de tudo isso. Meu amigo perguntou-me mais uma vez: “Trabalharia num posto da ‘Br’ com o teu amigo aqui? Enchendo tanque de caminhão e ouvindo Radiohead debaixo do carro?”. Imaginei naquele momento a sensação que aquilo poderia proporcionar. Imaginei ouvir “Fake Plastic Trees” num rádio com baixa qualidade sonora, num posto deserto durante a madrugada. Tiago imaginou ainda o posto perto do mar.
Depois, ele imaginou também trabalharmos no setor interno de uma biblioteca que nuca fecha, o que renderia conversas, leituras agradáveis, e capuccinos. Ele escreveu a biblioteca como tendo janelas que nos dariam a vista para um lindo jardim. E aí ouviríamos os grilos e outras coisas...
A reflexão a que isso tudo me levou é que existem coisas que sempre temos vontade de experimentar na vida. Coisas bem simples... Mas nunca podemos, sabe por quê? Sabe. Porque estamos presos ao sistema rotineiro que nós mesmos criamos. Toda a sua segurança e complexidade jamais trarão a felicidade das coisas simples. Não custa nada percebermos isso e tirarmos algum tempo para fazer essas coisas doidas que nos deixariam felizes. Só por um tempo que seja. Sabe... Não chega a ser maluquice não... É apenas viver. É apenas aproveitar o óbvio, o essencial, o simples. A vida é cheia de momentos. Mas a felicidade está nos mais simples.
Felicidade é a sensação de fazer coisas simples e “doidas” ao lado de um amigo. Isso traz felicidade. Ah, traz sim. A conversa que tive com meu amigo Tiago me deixou bastante contente. São coisas como essas que enxergamos nessas horas da noite. Que nos fazem pensar, sentir, sonhar... Ou sair do banho e vir escrever um post como este para o blog, só de toalha... Coisas da madrugada.
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 00:11:00 21 gota(s) de chuva
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
A tempestade...
'Tis vain to struggle - let me perish young- BYRONFoi por ti que num sonho de venturaA flor da mocidade consumi...E às primaveras disse adeus tão cedoE na idade do amor envelheci!Vinte anos! Derramei-os gota a gotaNum abismo de dor e esquecimento...De fogosas visões nutri meu peito...Vinte anos!...Sem viver um só momento!Contudo, no passado uma esperançaTanto amor e ventura prometia...E uma virgem tão doce, tão divina.Nos sonhos junto a mim adormecia!(...)Meu Deus! e quantas eu amei... ContudoDas noites voluptuosas da existênciaSó restam-me saudades dessas horasQue iluminou tua alma d'inocência.Foram três noites só... Três noites belasDe lua e de verão, no vau saudoso...Que eu pensava existir... Sentindo o peitoSobre teu coração morrer de gozo.E por três noites padeci três anos,Na vida cheia de saudade infinda...Três anos de esperança e de martírio...Três anos de sofrer - e espero ainda!A ti se ergueram meus doridos versos,Reflexos sem calor de um sol intenso,Votei-os à imagem dos amoresPra velá-la nos sonhos como incenso.Eu sonhei tanto amor, tantas venturas,Tantas noites de febre e d'esperança...Mas hoje o coração parado e frio,Do meu peito no túmulo descansa.Pálida sombra dos amores santos!Passa quando eu morrer no meu jazigo,Ajoelha ao luar e entoa um canto...Que lá na morte eu sonharei contigo.12 de setembro, 1852.”
(Trechos: Álvares de Azevedo – “Saudades”)
Todas as noites têm sido semelhantes. Mas esta, do dia 8, às 22:41, tem sido a pior delas até agora. Não tenho intenção de dormir, jamais durmo cedo. A sensação de desolamento não permite. É algo que torna uma criatura a mais desventurada e indesejada. Mal desejada. Será apenas uma fase de algumas horas até o amanhecer? Não... Desta vez já tem durado tempo demais. “Hoje a tristeza não é passageira”, dizia o Renato Russo. Não posso levantar mais de onde fui jogado, por um golpe inesperado, uma cicatriz que se forma inesperadamente, uma cicatriz que a mim não foi prometida.
Não, prometeram-me que seria diferente. Mas como outras pessoas fizeram, deixou ela uma cicatriz mais profunda do que qualquer outra. Agora, o desespero bate à porta há muito não visitada por ele, um companheiro de longa data, um visitante vazio, que apenas esfarela, dizima a todos os sonhos e queima toda a esperança. Esperança irregular, oscilante, que vem e vai como uma brisa da tarde, agora um crepúsculo crescente e sem volta.
Perdi-me desta vez e não sei mais onde encontrar. Desiludido comigo, mundo, pessoas. A escuridão nunca veio tão nebulosa como agora. Talvez naquela manhã quando por quatro horas pranteei por ti. Mas o pranto não vem; ele é preso, enterrado, inalcançável a um débil esforço para derrama-lo. Sentir-me-ia melhor se eu o alcançasse? Não saberei. Nem mesmo isto me é permitido. Privado da mais simples faculdade de chorar.
Que a noite então dure eternamente e que o dia jamais venha. Deixe-me mergulhar num sono profundo ao interior de mim mesmo, o nada. Que a noite cubra minhas pálpebras com um imenso manto negro e que se faça adormecer eterno. Na treva profunda e brutal sinto esvair-se minha alma. Pois sinto, meu anjo, uma imensa e desmedida solidão. Você não estará aqui amanhã para me acordar; nunca esteve. Que então eu não acorde, que mergulhe eu e pereça então, para sempre no sonho e na escuridão...
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 00:07:00 21 gota(s) de chuva
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
More recognition...

E aqui vão meus indicados:
Botando pra fora
Infinito Particular
B!ahworld
Grafitte Charmy
Com uma Pitada de Açúcar
E como sempre, mais uma vez peço desculpas àqueles que não foram indicados, mas como costumo dizer, posso apenas indicar cinco. Ei, não esqueçam o post anterior (rs)!
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 09:42:00 6 gota(s) de chuva
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
À todas as noites de verão...
“Naquele mesmo momento enxerguei (mas tu não podias enxergar), voando entre a frígida lua e a terra, Cupido, de arma em punho: fez mira, ele, na direção de uma linda vestal, coroada pelo Ocidente, e libertou desde seu arco a flecha do amor, com muita habilidade e energia... como sedevesse trespassar uma centena de milhares de corações. Contudo, eu pude ver a flamejante flecha extinguir-se nos castos raios de uma lua aguada; e a imperial devota passou adiante, em virginal meditação, livre de fantasias amorosas. Eu, porém, observei onde caiu o dardo de Cupido: bem em cima de uma florzinha do Ocidente, antes branca como o leite, agora púrpura como a ferida do amor. E as donzelas chamam de amor-perfeito àquele amor ocioso.”
(William Shakespeare – “Sonho de uma noite de Verão”)
“Yesterday I got lost in the circusFelling like such a messNow I’m down I’m just hanging on the cornerI can’t help but reminisceWhen you’re gone all the colors fadeWhen you’re gone no New Year’s Day paradeYou’re goneColors seem to fade”
(Amos Lee – “Colors”)
Férias da universidade... E eu mais uma vez aqui, escrevendo algo sem importância, mas que talvez todos venham e comentem, como sempre. Agradeço aos meus leitores. Mas ultimamente as idéias têm ficado cada vez mais escassas.
Quando eu ainda estava na universidade pelo menos ainda tinha algo a relatar sobre minhas observações no cotidiano solitário que eu levava. Até a minha ida ao boteco era motivo para reflexões existenciais e uma boa crônica. Nada como um caderno, uma cerveja (na verdade prefiro vodka ou vinho, mas já que o ambiente não ajuda...) e uma tristeza para uma boa inspiração.
Este blog tornou-se algo que eu não esperava, recebeu prêmios que eu não esperava, e um público fiel e atencioso que também não esperava. Mas na verdade, todos sabem porque eu o criei inicialmente. Acontece que talvez eu já tenha dito tudo o que deveria ser dito. Recebi todo o apoio de pessoas que nem conheço, e isso me deixa muito contente e emocionado. Mas talvez, infelizmente, já não tenha mais o que dizer.
Fará dois meses no dia 16, desde que aconteceu. Porém, já fará quatro meses desde que tudo começou, e mais de dois anos de amizade. Como já confessei, depois de tanto tempo, ela tornou-se uma pessoa importante e querida para mim, por isso nossa amizade sempre continuará. Acho que ela também pensa o mesmo, eu espero. Mas de todo caso, talvez a história termine aqui. Nem tudo foi esclarecido, mas talvez seja melhor assim. Não sei como iremos ficar. Mas eu realmente não tenho mais muita coisa para escrever no momento.
Este blog recebeu o nome que tem por causa do dia do nosso encontro, que terminou desastrosamente, como já sabem, e também por causa da música. Comecei a escrever aqui para deixar extravasar toda a dor que eu senti. E consegui. E agradeço a todos pelo apoio tão inesperado e pela atenção. Quero agradecer também à minha prima Raiza pela motivação e atenção que tem me dado (vocês devem ter visto uns comentários dela por aí). Obrigado pelo carinho, I love you! Não levem a mal, não é uma despedida. Não ainda. Estou pensando. Pensando no que vai acontecer comigo e com ela, pensando no que vai acontecer com este blog depois disso e pensando no que irei escrever depois de tudo.
Bem, acho que a chuva ainda continua, aquele dia de novembro ainda está vivo em minha memória...
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 15:40:00 3 gota(s) de chuva
sábado, 5 de janeiro de 2008
À procura dos nossos "pés"...
MSN:
' César!
Roupa Nova – Sapato Velho <cesaraschuler@hotmail.com>
::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
rapaz... essa música
::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
"Sapato Velho"
::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
é linda demais...
::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
"é, talvez eu seja simplesmente como um sapato velho..."
' César! diz:
"mas ainda sirvo se você quiser, basta você me calçar, que eu aqueço o frio dos seus pés"
::Lone Wolf:: ∆٭♥∞ diz:
quem é que ainda quer um sapato velho hoje em dia, companheiro?
***
Nós somos aquilo que nunca é notado. Estamos ali, no meio das fileiras de pretendentes de uma bela moça, ou enchendo nossas caras com etanol em um boteco qualquer. Somos feitos de sonhos, vivemos de sonhos. Somos capazes de encontrar a felicidade nos braços de alguém que amamos, simples que seja todo o resto. Normalmente nunca encontramos aquilo que aplaca a nossa vontade e o nosso desgosto. Mas nunca deixamos de sonhar...
Sabemos exatamente o que dizer quando estamos na frente dela. Sabemos acreditar no quanto elas são especiais, cada uma delas, mesmo que nem elas próprias venham a enxergar isso. Fazemos a quem amamos sentirem-se especiais. O que oferecemos é especial. Nós somos como sapatos velhos... Podemos ser aconchegantes aos pés... Podemos aquecê-los do frio e fazê-los sentir como se estivessem descalços... Mas ainda somos sapatos velhos.
A verdade é que nunca poderemos chegar onde os sapatos de butiques estão. Eles é que são os preferidos. Quem é que vai querer um sapato velho se puder ter algo melhor? Bem... Podemos não ser nenhum sapato novo e bonito. Sabem o que eu acho? Que o que precisamos pode estar em outra direção, talvez não muito longe dali, talvez fora do nosso campo de visão, esperando por alguém exatamente como nós. Ela não está entre as "tops", mas isso não significa que ela não seja linda, sua beleza disfarçada apenas pela sua timidez, pelo seu jeito reservado. Ela é capaz de entender você como nenhuma outra "top" fará e é capaz de fazê-lo feliz também como nenhuma outra. Sempre apreciei muito mais esses adoráveis “pés”. A questão é: quem poderá um dia encontrar os seus?
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 13:26:00 8 gota(s) de chuva
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Recomeça a estação das chuvas...
“Quis continuar a falar, mas, de repente... Calei-me”.
— Sabe por que estou eu tão contente? — perguntou-me ela — e me sinto tão satisfeita por o ver? Por que estou tão carinhosa para com você?
— Diga — perguntei eu, e o meu coração batia...
— Pois eu lhe tenho toda esta amizade porque você não se apaixonou por mim. Outro, no seu lugar, teria começado por me importunar e aborrecer teria suspirado e fingido que estava doente. Mas você foi tão franco e tão simples!
E apertou-me a mão com tanta força que por pouco eu não gritava. E riu-se outra vez.
— Meu Deus! Como você é meu amigo! — continuou depois de uma pausa cheia de seriedade. — Acredito verdadeiramente que foi Deus quem o enviou. Que teria sido de mim se não o tivesse ao meu lado? Tem sido tão bom para mim! Se eu me casar havemos de continuar assim, amigos... Como dois irmãos. Hei de gostar de você quase tanto como dele...
Custaram-me estas palavras e, naquele mesmo instante, senti um desgosto imenso; mas a seguir, qualquer coisa semelhante a um sorriso se esboçou na minha alma.
— Está muito desassossegada
— disse-lhe — pois, no fundo, tem medo que ele não venha.
— Mas que idéia! Se não estivesse tão contente, é muito provável que me fizesse chorar com essa sua descrença e com as suas censuras. Além disso, não tem feito outra coisa senão insistir numa hipótese que pode trazer-me muitas contrariedades. Mas isso fica para depois; por agora confesso-lhe que adivinhou. Eu estou verdadeiramente... Fora de mim! Eu sou toda ansiedade e percebo tudo e tudo ouço como através de uma nuvem... Mas basta... Não falemos mais de sentimentos...”
(Fiodor Dostoievski – “Noites Brancas”)
Os dias têm sido turvos, cinzentos, desbotados e chuvosos, assim como a velhice que me aguarda. Mesmo quando o sol brilha no céu azul ao longe, quando cantam o mar e os pássaros, as folhas verdes das árvores balançam ao vento... Mas tudo é triste e vazio por trás das lentes do meu espírito.
Conforme o tempo passa, percebo como estive vivendo tudo novamente, como um ciclo que retorna à sua origem e ao mesmo tempo ao seu fim, indistinguíveis um do outro, numa mesma seqüência de fatos, sentimentos e frustrações. Está tudo sempre o mesmo. Está tudo assim tão diferente e tão semelhante ao que se foi.
A promessa se repete a cada novo ciclo, a proteção que busco na solidão se mostra sólida em sua teórica invulnerabilidade. Acabo sempre quebrando a promessa e deixando que aconteça de novo, deixando que haja uma aproximação indevida por parte de algumas pessoas. Pessoas que me despertaram aquilo que nunca esquecerei, quão marcante é a sua presença em nós, tamanha a sua sublimidade e poder. Maldito seja ele.
Mais uma vez faço então a promessa que um dia me libertará de todo esse mal que maravilhoso é para o mundo. Aquilo que todos conhecem em todos os idiomas, que faz queimar seu orgulho em cinzas e desatina. Sua presença é a causa de meu sofrimento e minha solidão. Mas sou feito dele...
Minhas noites, naturalmente terminam com uma manhã. É sempre igual às outras. Nada passa pela minha mente para cumprir-se durante o dia. Os dias são assim sempre iguais... Pena ter eu perdido o costume. Terei de recupera-lo novamente; afinal, é isso o que a vida sempre me mostrou, enquanto eu me recusava a enxergar, colocando-me nos braços de alguém. Alguém, que, como sempre, não queria nada daquilo. Não era diferente da personagem acima. Bem, afinal de contas não me podem oferecer mais do que aquela mulher da história ofereceu ao seu desgraçado interlocutor. Ninguém pode oferecer mais do que isso a alguém como eu, como outros iguais a mim. Por que é tão difícil aceitar quando nos parece inevitável o nosso fim? Sei que terminará da mesma forma. De que me valerá conseguir aquilo que quero? Procuro ter a esperança de que isso aplacar-me-á a falta que ele faz.
Pelo menos, desta vez, alguém cuidou tão bem de mim antes de partir que não haverá como o rancor espalhar seus ramos negros e amargos sobre mim. Ela aumentou minha muralha, mas deixou algumas flores lá dentro.
“Hoje é o primeiro dia do resto dos seus dias.” (Thom Yorke)
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 15:09:00 8 gota(s) de chuva
domingo, 23 de dezembro de 2007
For whom the bell tolls...
Mas agora já não há mais luzes a festa acabou. Sinto uma profunda saudade daquilo que não vivemos. Sinto saudade de você. Meus pés estão doloridos, minha língua dormente; pensei que pudesse esquece-la um pouco, por breves momentos em um lugar cheio, onda há muitas pessoas, muitos conhecidos. Mas não havia como tirar você de mim. As noites são sempre claras ao dizer que eu deveria estar com você.
Não tento, não há aquela que poderá substituir você. Olharei a beleza delicada de uma flor em um imenso jardim, mas nenhuma terá o encanto e o mesmo perfume que o seu. Por que estive pensando tanto nisso? Se já faz algum tempo! Eu poderia tê-la deixado de lado, se talvez tivesse bebido mais um pouco... Se talvez tentasse regar uma outra rosa. Não há, não tem como. Se ao menos você pudesse me ver...
As noites são sempre iguais, solitárias, onde quer que eu esteja, numa festa ou em casa, aqui na frente desta máquina escrevendo para você. É só para você que eu escrevo. Mas você não pode ver... Você já não me enxerga mais, já não me escuta mais, já não pode ler mais... E eu sinto você tão viva, como perto de mim, e sua alma parece sentir a minha. Acompanha-me, pois sem você minha tristeza se revela real. Minha ilusão é tudo o que eu tenho, é o meu pensamento, é a sua imagem perto de mim agora... Descanse então, e amanhã nos encontraremos de novo, como nos sonhos que hoje à noite terei. Deseje-me bons sonhos...
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 00:28:00 16 gota(s) de chuva
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Noite de dezembro...
Há uma bela moça sentada a alguns metros à minha direita. Ela também parece estar aguardando. Parece agora pronta para levantar-se. Mas continua aguardando. Que será que ela espera? Tão solitária, assim como eu. Mas ela parece esperar por alguém. Eu também já estive esperando por alguém. E foram tantas vezes...
Não compreendo exatamente o porquê de estar escrevendo isto. Talvez eu realmente esteja sentindo os efeitos do tédio... Ou talvez eu realmente esteja adquirindo novamente o costume de escrever. Começou de mais uma tentativa frustrada de escrever uma poesia. Estava saindo um soneto em alexandrino, mas que logo depois se transformou em seis sílabas poéticas, cada um dos dois versos, reestruturados então. Mas logo desisti e estou escrevendo outro texto lírico em prosa. Dessa vez estou sem bebida, apesar de estar próximo ao estabelecimento que a vende.
A moça está usando um casaco cinza e uma saia preta com babados à altura do joelho, mais ou menos. Ela tem a pele muito branca e os cabelos escuros e ondulados, chegando a passar por pouco os ombros. Oh! Ela se foi... Não sei porque ela chamou-me a atenção. Mas não importa. Agora estou realmente sozinho.
Logo chegará a hora de levantar-me também. E apesar de me dirigir a um recinto com um número razoável de pessoas, eu continuarei sozinho. Será como se ainda estivesse sentado neste banco vazio, sentindo o ar frio da noite soprar em meu rosto... De qualquer forma, estarei melhor assim.
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 22:59:00 8 gota(s) de chuva
domingo, 16 de dezembro de 2007
O inesquecível perfume da rosa...
“E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa.
Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela
rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... Repetiu o principezinho, a
fim de se lembrar.”
(Antoine de Saint-Exupéry – “O Pequeno
Príncipe”, Capítulo XXI)
Bem... Com ela foi diferente. A minha rosa me cativou desde o princípio. Eu a cativei também. Pena ter demorado demais para descobrir isso. A vida é cheia de sol quando uma dessas pessoas nos cativa. Lembramo-nos dos pequenos detalhes com mais carinho. Seus passos são diferentes dos outros. Sua voz é diferente das outras, inconfundível. Seu jeito é exatamente do jeito que queremos.
Eu penso que a conheço. Conheço suas qualidades, seus defeitos, seus pontos fracos (positivos e negativos, se me compreendem). Porque realmente só se conhece aquilo que cativa, não é? As pessoas esqueceram disso também. Como diz o autor, elas compram tudo pronto nas lojas. Mas não existem lojas de amigos. Nem de amores...
Como dizia ela própria: “As melhores horas da nossa vida são exatamente aquelas em que perdemos a noção da hora”. O tempo simplesmente passava enquanto eu estava apenas conversando com ela. Não adianta pedir para que ele seja mais vagaroso... Que dirá pedir que ele pare! O tempo é implacável... Ah, se eu a tivesse amado a tempo! E eu tive muito tempo... Muitas horas felizes de espera, muitos “ritos”, como diz Saint-Exupéry.
Mas aí: “- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...”. Acontece que a minha rosa é única. Ela é, para mim, a mais importante de todas. Porque fui eu quem a reguei. É a minha rosa. Foi o tempo que eu perdi (ou melhor, doei) com ela que a fez importante para mim. É por isso que não me arrependo de nada. Eu passaria por tudo outra vez e a regaria de novo e a cativaria de novo e deixaria que ela me cativasse... Ela levou embora toda a amargura que existia em mim. Ela também me regou, uma planta seca, e voltei então à vida. Ela é eternamente responsável por mim. E eu sou também eternamente responsável por você, minha amada amiga...
Deixado por Αιακοσ Επυαλιοσ às 11:54:00 12 gota(s) de chuva
