terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Come share my life...


Da janela do meu esconderijo aprecio uma linda tarde azul de domingo. Os raios de um sol sonolento incidem nas folhas verdes das árvores, que balançam mansamente ao gentil toque de uma brisa. Esta viração que agora invade o aposento traz consigo as mais doces e felizes lembranças, recentes e pretéritas, que me enternecem a alma, trazendo-me placidez e serenidade.

Tantas vezes esqueço-me do que carrego no coração e deixo-me cair em amargura. Tão desnecessário... Pois o que realmente sinto dá-me apenas motivos para sorrir. Ao notar tal presença, sou acometido da mesma sensação que acabo de experimentar, ao ver o último pássaro que acabara de pousar em um dos galhos para visitar-me, para em poucos instantes novamente partir. É provável que, neste momento, apenas eu enxergue a coincidência na sutileza do ir e vir.

Meu “passeio” leva-me inevitavelmente a pensar num antigo desejo. Devo contar-lhes este segredo agora. Ele está retratado acima. Não consigo evitar o pranto ao ver e ouvir tudo o que está sendo dito naquela música, naquelas imagens. É isso o que me faz lembrar do singelo e antigo desejo de ter uma família. E de dar uma família a alguém... Pessoas às quais eu pudesse dar tudo de que precisassem. Proteção.

Crianças... Acho que não tenho muita paciência com infantes. Mas confesso que não consigo ser indiferente à pureza de seus olhos cristalinos, que desperta-me nostalgia, saudades da (única) época feliz da minha vida. Quem sabe voltaria eu a sorrir vendo realizarem-se aquelas imagens... Mas agora não sonho mais sonhos de criança. Cresci e descobri o significado de amar, ainda que não devesse senti-lo. Pois também viria a aprender o significado de não ser amado.

13 gota(s) de chuva:

Carol disse...

Crianças são tão puras que acabam passando um pouco de sua pureza para nós. Adoro conversar com elas e dar carinho... Elas retribuem de um modo tão afetuoso que você se sente pequeno. O pouco tempo que convivi com elas, eu me sentia assim. Imagino que com um ser que veio de dentro de nós deve ser ainda maior, bem mais que maior... Inexistente.

Seu texto ficou muito sensível, igual a música! De uma delicadeza que enxe de carinho.

;*

Beeeijo!
Te adoro.

Zingador disse...

Não deixe que as lembraças fujam e sumam de seu coração. Desejo-te uma família doce e leve, mas as coisas acontecem no seu tempo, não é?
Tem presente (selo) lá no meu blog pra ti.
Abraço perfumado

Mr. Ziggy disse...

Cara, esse final foi forte. Tocante. E bem no rim. Mas uma pergunta que não quer calar: já experimentou amar com os pés no chão? Abraço!

Iara disse...

Sem dúvidas eu não posso negar que esse foi o texto mais lindo que eu já li... Foi sublime, sensível, leve e doce... Indescritível. Onde estes adjetivos citados anteriormente ainda não conseguem traduzí-lo.
Vc deveria escrever mais coisas assim... Eu gosto mais desse seu lado do que do outro lado o qual costumo ver, gosto mais quando vc enxerga as coisas pelo lado bom. Esse é o seu lado homem o outro lado parece-me apenas um garoto amargurado e já sem forças...
Ahhh... Eu adoro Simply Red!!! PERFEITO D+++
OBS: Vc se acostumou mal a eu deixar cometários no seu blog... As aulas vão começar e isso vai acabar, pois infelizmente é hora de estudar...

Dessa vez fiquei realmente feliz de ler algo que vc escreveu...

Mil Beijos!!!

Kari disse...

Que lindo!!!

Sabe, eu nunca tinha pensado que, ao querer uma família, queria também dar a alguém uma família... E fica tão mais lindo pensando nesse conjunto...

Beijos

Gabriela Magnani disse...

Lindo! Seu blog é super criativo. As vezes acho que seria impossível um texto assim sair de dentro de mim. Te linkei :)

Gabriela Magnani disse...

Obrigada. Muitas pessoas estão me insentivando, estou tentando ter um pouco mais sensibilidade e produzir algo interessante ao ver de outras pessoas. Mas sempre que crio alguma coisa assim, ninguém comenta. Acho que não tenho muito jeito com isso. E vou continuar tentando.

Syn (apses) disse...

Obrigado pelos 5 minutos de grande emoção que seu texto me gerou. Seu desejo transparece a mesma pureza vista nos olhos inocentes das crianças...

E não se entristeça prematuramente. Sua vida ainda pode te conceder surpresas incríveis, pode apostar!

Abraços e boas realizações (o mais breve possível)! =D

Flor disse...

Você me faz pensar em como seria seu sorriso... Eu sinto falta disso.

Bom, pra você eu dou um desconto vai: eu acho que alguém tá voltando pra minha vida.

=)
Beijo grande.
PS: Mas não é ELE.

Flor disse...

Você me faz pensar em como seria seu sorriso... Eu sinto falta disso.

Bom, pra você eu dou um desconto vai: eu acho que alguém tá voltando pra minha vida.

=)
Beijo grande.
PS: Mas não é ELE.

Filipe Garcia disse...

Olá,

gostei das suas palavras, da singeleza com que trata o dia-a-dia. Eu gosto de letras assim: que dizem o simples de forma bonita, sutil.

Seu canto é um lugar pra reflexões. Seus pensamentos encontram com o do leitor numa parceria quase que combinada.

Obrigado pela visita no "Viver para contar"!

Abraço.

Autor disse...

Acho que podemos aprender tanto com a inocência das crianças.
Mas a gente cresce e vem pro mundo real e é uma merda.
Mas, aprender faz parte, né?

Syn (apses) disse...

Ae Wolf, tô com saudade do seu lirismo, da suas palavras profundas, do seu texto carregado de sentimento. Aparece quando der!

Abraços!