sábado, 31 de janeiro de 2009

The Loner...


O sol ainda não se pôs, mas a ansiedade trouxe-me aqui uma vez mais, ainda que eu prefira sobre mim um imenso véu negro e estrelado. Meus pensamentos ainda difusos passeiam por todo o ambiente, como as brancas nuvens que passeiam distraídas pelo céu desta tarde tristonha. 

Procuro uma saída, mas ela parece cada vez mais remota. Sentimentos me consomem. Algo alastra-se por todo meu ser, transforma-se no veneno que agora percorre minhas veias. O desgaste e o cansaço imperam e convidam-me ao repouso, ao esquecimento.

Meus sentidos se confundem, desmancho-me na minha própria fumaça, na minha própria embriaguez, numa delirante sinfonia. Toda e qualquer palavra será improfícua. Tudo permanecerá no mais profundo oceano do inconsciente. 

Agora meu discurso se estende madrugada adentro. As nuvens castanhas – como os olhos que vejo ao fechar os meus – não mais propalam. Desagrada-me o fato de eu estar demorando mais que um dia num único parágrafo. Já não há mais garrafas e charuto à minha frente, mas apenas a minha janela. No entanto, minhas ânsias e motivações não mudam. Meu tormento é como este texto. Um dia ainda hei de findá-lo. Talvez. 

5 gota(s) de chuva:

Kari disse...

Quanta angústia!
Quantas palavras belas expressando uma dor, talvez uma saudade...

Aí aí... Como é inevitável vir aqui e não lembrar de Álveres de Azevedo...

Beijão

Carolina; respira-me disse...

Perder-se...
Nada mais satisfaz tanto quanto satisfazia antes, nada mais tem tanto valor, talvez nem tenha mais o valor que já teve um dia. Se sai: o vazio fica, se entra: ele te acompanha.
Os sabores não são os mesmos, tudo fica confuso e se perde... Cada um é dono da sua angústia. Angústia não se divide tanto quanto queria ou deveria dividir. Os únicos culpados pela nossa perca, somos apenas nós. Ache-se, nem que seja para dizer quem é, o que se é e como faz.

Beijos :*

Syn (apses) disse...

Bom Wolf, confesso que venho aqui porque gosto dessa incerteza do que devo interpretar em seus posts (certeza demais me faz mal)...

E já pretendo um dia, quem sabe, postar algo sob a influência de garrafas e charutos (nova resolução de ano novo anotada!).

Abração!

Iara disse...

Aguém o qual eu não sei quem, disse que: "Cada cabeça é um guia..." E quanto a isso creio, que não se pode fazer nada, se o outro assim não deseja...
Hoje eu não tenho nada de muito grande a declarar... Só que este texto parece-me contradizer o outro postado antes (As we are).
Beijos*.*

Mr. Ziggy disse...

De que adiantariam as garrafas e os charutos se a janela não estivesse diante de você? É através dela que você pode contemplar paisagens do mundo e de si mesmo e, quem sabe, colher sementes pra plantar em algum lugar. Quem sabe algo bom possa brotar...