segunda-feira, 14 de junho de 2010

The summers of our youth...

"Este é o livro das flores,

Este é o livro do destino,

Este é o livro de nossos dias,

Este é o dia de nossos amores."


(Renato Russo)


Sinto a saudade do clima de outono que se aproxima. A noite é quente e silenciosa e eu observo o céu parcialmente estrelado. Longe tanto quanto meu pensamento, você não se lembra de mim. Meramente sabe que existo.

Da minha cadeira embalo-me ao som de uma música, e daqui também aprecio o rosto urbano e iluminado do horizonte, enquanto levo à boca um gole de uísque. Desce-me a abrasar a garganta, grosseiro. Longe de ser o que há de mais palatável. Eu o absorvo ainda assim, para que me aqueça o peito. Esta é a beleza e a fluidez de uma melodia azul e embrumada. Estar ébrio acentua estas recordações, como se eu não estivesse mais presente.

Aqui repouso enquanto ouço estas canções há muito conhecidas. Estas que me trazem ricas lembranças daquele verão. Posso ainda, com a ajuda delas, experimentar de volta todas aquelas sensações, ainda vivas.

Esta é a canção dos meus amores. Suaves são seus versos e tristes são as notas de sua harmonia entorpecente. A eles entoo esta melodia de todos os dias que se foram, mergulho em nostalgia banhada em recordações queixosas.

Tristes sombras nas paredes, quem são? Como as almas que se foram, como tudo o que foi esquecido, vejo cada semblante marcado na penumbra azulada. Estão lavados em agonia, ou tristeza mansinha, um pranto suave e contido, uma lágrima amargurada.

A certeza da solidão é mordaz e sua presença gélida faz minhas entranhas estremecerem. O torpor da bebida agora recolhe o seu manto. Agora posso vislumbrar claramente, eu inteiramente tomado pelo terror: Eis que que a face no retrato ornado pela escuridão é a minha!

A alegria dolorida, a angústia transtornada de vê-la passar, a ansiedade de atravessar a rua e ir ao seu encontro. Naquele dezembro de dois mil e quatro ficaram guardadas para sempre minhas mais preciosas lembranças de amar, de abraçar, da mais pura e verdadeira felicidade de adormecer ao seu lado, sem jamais ousar despertar.

3 gota(s) de chuva:

Carolina Medeiros ઇઉ disse...

Só não pode morrer de tuberculose.
Sabe, vc é Romântico Contemporâneo...
Deveria escrever um livro, publicar... escrever seu nome ao lado do amor.
Vc é talentoso demais Casmurro.

Um beijo.
:*

Danielle disse...

Lindo texto.

Bjs

Julia disse...

Ah, que fofo o seu comentário! Eu fiz um blog pra me obrigar a não perder o contato com a escrita, coisa que eu gosto tanto...mas vc deve ter percebido também que não sou muito assídua! rsrs!
Gostei do seu texto também, inspirado!

Até mais, beijos!