sábado, 1 de dezembro de 2007

Fake Plastic Trees...

Nunca me ocorreu de contar isso a ninguém. Não porque não quis ou porque nunca perguntaram. Mas é que nunca me ocorreu mesmo. Eu estava conversando com o César sobre o assunto e tive a idéia de enfim falar sobre isso com alguém.

Como alguns devem saber, assim como o César, eu nunca fui do tipo popular na escola. Mas no meu caso isso vem desde o jardim de infância, não sei se acontece o mesmo com ele. De qualquer forma acho que ele vai postar um texto tratando do mesmo assunto que este tratará.

Lembro-me muito bem daquela época. Eu sempre fui um menino tímido, com poucos amigos (talvez nenhum naquela época), não lembro minha idade, talvez uns três ou quatro anos... Eu era amigo apenas do porteiro, Dudu, que proibia a minha saída em minhas insistentes tentativas de voltar para casa. Meu tio falou recentemente que no dia em que ele foi me deixar lá quase voltava para me buscar, devido à cara que eu fazia ao ser deixado. A escola era uma tortura para mim, principalmente no início. Havia também a minha babá (na verdade não era só minha e sim da turma toda eu acho, mas eu era mais apegado a ela que qualquer outro), Janete.

A não ser por esses acima citados, não me dava com ninguém. A não ser com uma menininha da minha idade. Uma menininha assim como eu, solitária. Mas ela era alegre. Sim, ela sorria ao conversar com as mesmas pessoas que eu (babá, porteiro e “tias”). Nós nos conhecemos e nos tornamos amigos. Nem sempre nos entendíamos, eu não compreendia todas as mensagens dela. Vim entender mais tarde. Mas não me importava. Eu podia compreender o que aquele sorriso infantil queria, do mesmo jeito. Eu sabia que ela era diferente. Só não sabia o quanto. Mas eu não me importava. Eu gostava de estar com ela. Ela era a minha melhor amiga. Ela era quem me fazia esquecer que eu estava sozinho. Ela levava embora a minha solidão.

Ela se chamava Juliana.

Ela tinha síndrome de down.

Claro que eu só vim me dar conta quase duas décadas depois. Minha família sabia de tão sincera amizade. Lembro-me que eles diziam que ela era a minha noiva. Éramos inseparáveis companheiros no nosso silêncio mútuo. Eram poucas palavras. Mas era bom estar com ela. Era bom sorrir junto com ela e seu sorriso inocente. E seus olhos negros e ingênuos. E eu percebo hoje como era lindo ser criança.

Juju, onde quer que esteja, espero que esteja bem. E saiba que nunca esqueci de você.

Até a próxima...


Nostalgia... http://br.youtube.com/watch?v=hmdmfWQW4ig

8 gota(s) de chuva:

César Fernández disse...

Que bela história...

seria legal ter notícias dela agora, né...

^^

Kari disse...

Como disse César, "que bela história"....

Acho que, quando criança, não tive nenhum amigo assim. Sempre fui muito na minha. Não lembro de ninguém que tenha me marcado assim... gostaria de lembrar!

Beijos

Nanamada disse...

Que bela história!Amigos de infância são umas das mais doces lembranças que temos.Obrigada pelo comentario em meu blog e volte sempre.Procuro manter atualizado e com curiosidades que normalmente não tem em livros de artes comuns.Beijokas

-laurex disse...

Eu nunca tive esse problema. Nunca mesmo. Sempre fui popular, faço amizades muito rápido. Falo com facilidade com todo mundo.
Mas sempre tem situações em que as coisas se invertem, né? Pois é. Eu fiz um intercâmbio na Alemanha ano passado. E eu não falo inglês e meu alemão era bem ruinzinho. Mas enfim, eu odiava o recreio na escola, ODIAVA. Pq eu arranjava um canto pra sentar, ficar olhando as pessoas e escrevendo no meu diário, sem passar aquela imagem de excluída. Não queria que as pessoas sentissem pena de mim. Mas eu queria que elas sentissem alguma coisa.
Demorou bem uns três meses pra eu fazer amizade lá. Foi muito difícil pra mim.
Eu tento tratar as pessoas como iguais, não iguais, porque ninguém é igual. Mas no mesmo nível. E muitas vezes eu não consigo. E a gente precisa tanto disso. De pequenos gestos. De um Bom Dia! sorridente. Ai relações humanas!


Obrigada pelo comentário.
E tudo é literatura, bem!

=]

Thaís disse...

Tem pessoas que marcam as nossas vidas, desde pequenos, e nos ensinam muito!
Linda história:)

Hugo Simões disse...

E aí amigo, é a primeira vez que passo por aqui, gostei muito do seu blog!
Belíssima a sua história!
Um abraço.
;D

Sinto que sei que sou: disse...

Ser criança é do que tenho mais saudades nessa vida...

thais disse...

esse eh meu primo!!! nossa senhora cada texto um mais lindo que o outro..