sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

No jardim de um mosteiro...


Numa antiga construção, à sombra de uma varanda, repouso minhas inquietações e minhas lembranças. Daqui, quando finalmente posso contemplar o rosto de uma musa, sento-me a uma velha cadeira e ponho-me a apreciar o branco deste papel, como as paredes e os ladrilhos no chão.

Enquanto penso, observo a paisagem à frente, na qual apresenta-se um jardim tendo como fundo um largo prédio de dois andares, onde repousaram seminaristas de outrora, fechados em suas janelas verticais. Mais na frente do prédio, duas ou três árvores balançam suas folhas ao toque da brisa preguiçosa de um fim de manhã.

Pensei em escrever sobre você. Sobre o estranho fato de que é a única pessoa a ameaçar meus fantasmas do passado. Um passado não muito distante, tão impregnado em mim como o que está nas paredes deste seminário. Haverá de ser você outro fantasma – imagino às vezes – pois é como se fosse parte de um novo capítulo da mesma história.

Apesar disso, pareço não me importar. Pareço ceder a apelos desconhecidos, como sei que também os sente. Ao ver a realidade, parece muito simples o inevitável desfecho deste breve romance que escrevemos. Por que então continuar a escrevê-lo? Por que esperar um final diferente do que já está pronto?

Ao pensar na sua resposta, volto a observar os mosquitos esvoaçantes à luz do sol, que incide sobre as folhas das árvores, sendo tudo isso emoldurado pela imensa sacada da minha varanda, onde permaneço sentado, sempre na companhia de uma moça chamada solidão...

2 de fevereiro de 2008

5 gota(s) de chuva:

Marcela disse...

É um texto muito bonito... como tudo o que você escreve.
Mas eu nem consigo imaginar o final da história que você disse já estar escrito. Eu não começo a ler romances pelo fim, e sempre me surpreendo com os finais.

Kari disse...

Engraçado como essa "moça" se faz presente nas nossas vidas, né? Ô solidão... Quando vais embora?

Talvez o final ainda não esteja pronto! Talvez exista apenas um esboço, mas que pode ser reparado ou completamente modificado... E quem sabe, talvez, essa estória inda não tenha chegado ao fim????

Beijos
ah! tava com saudades já, viu?

Fire disse...

A solidão não tem um rosto muito bonito de se ver... Talvez apensa nos iluda com sua falsa beleza...

Beijos

Kana Kavon disse...

que lindo e estranho encontrar este blog. sou dos estados unidos, mas eu vou chegar em Salvador em duas semanas pra estudar por 5 meses. vc pode ver o meu blog e tambem tenho um perfil em orkut; e:
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=9938291193019866136

eu escrevo a poesia. por isso o seu blog me chama a atencao. vc escreve palavras hermosas. vou passar meu tempo la trabalhando num livro de poesia. talvez nos possamos falar mais de a literatura e de nos mesmos.

um prazer,
Kana

Palavras de um mundo incerto disse...

Irmão, companheira nossa: a solidão é multiplicada diversas vezes quanto mais o tempo passa.

Gostaria de ficar um pouco junto de outros para me distrair.
Mas que assuntos eu posso discutir.

Se a maioria discuti o jogo ali.
A fofoca predomina ali.

Ai, solidão que nada!

Um abraço pra ti meu amigo!


Marcos Ster